11.18.2010

Coisas do futebol



Gostei muito de uma crônica que o Gerson colocou no Avaixonados (link aqui), de autoria do Torero (link aqui). Lá, entre uma série de frases que seriam hilárias se não fossem trágicas, mas nem por isso deixam de ser verdadeiras, há a seguinte: "Acho que a primeira regra para vencer um jogo, seja na várzea ou na Copa do Mundo, é ter o juiz a seu favor." e continua: "Nada melhor do que um árbitro que seja cego para as faltas de seu time e tenha olhos de águia para as do adversário."

Pois bem, durante a atual campanha do acesso, o Figueira sofreu muito com arbitragens, no mínimo, tendenciosas. É bem provável que os "erros" tenham sido decisivos para nos tirar da luta pelo título. Os mais descarados e absurdamente inacreditáveis foram nos jogos contra o Bahia e o Sport, fora de casa. Lá, fomos garfados descaradamente e não conseguimos a merecida vitória. No último jogo em Curitiba, também fomos prejudicados, mas diante do que já havia acontecido, nem foi tanto assim. Ainda bem que o time foi competente para garantir o acesso, apesar do esforço contrário dos homens do apito.

No fatídico ano de 2008, terminaríamos em 14° lugar num utópico campeonato sem erros de arbitragem, segundo uma avaliação da Globo.com (link aqui). Não sou um espectador assíduo dos jogos avaianos mas vi, no jogo contra o Corínthians, uma baita de uma roubalheira em favor dos Paulistas.

Lá no blog do Torero, tem alguns comentários como o que reproduzo aqui: "Tá na hora do futebol ser boicotado afinal nem é o principal esporte do País. O Brasil é sem dúvida o País do Volei, pois não há esporte com maior retrospecto positivo e mais uma vantagem; não tem impedimento, penalti, roubalheira; pensem nisso!"

Lendo comentários desses eu penso: como é que o futebol se tornou tão popular? Porque será que não somos tão loucamente apaixonados pela Cimed, ou pela Malwee, ou ainda pelo Basquete? Porque será que gostamos mais de um esporte em que as partidas terminam em 1 x 0, e não de um que termina 118 x 95, como o basquete? De um esporte onde os erros de arbitragem invariavelmente acontecem, a um quase que exato onde não há contato físico ou margens para interpretações, como o volei?

Lembro que a Fifa já pensou em colocar mais juízes, permitir auxílio de câmeras, implantar chips nas bolas, aumentar as dimensões do gol... tudo para tornar o esporte menos suscetível a falhas e ampliar os números de gols por partida.

Na minha opinião, o futebol só se tornou o esporte mais popular do mundo justamente por causa disso. Porque um gol não é como um mísero pontinho de volei. É um momento tão raro que se torna mágico. Quando acontece, nos provoca uma explosão de adrenalina tão intensa, que imagino que se pareça com uma overdose de alguma droga alucinógena. Quando um gol acontece, perdemos a noção de ridículo, anestesiamos qualquer tipo de dor, nossas pernas ficam bambas e demoramos alguns segundos para voltarmos à realidade.

Da mesma forma, os erros de arbitragem (apesar de nos ter tirado o título, hehehe), são importantes para o futebol (esquisito falar isso êim?). São eles que enchem os blogs de discussões, que causam acalorados debates nos bares e nas praças, que permitem que dois amigos avacalhem-se mutuamente, que nos deixam furiosos num dia (quando acontecem contra) e radiantes no outro (quando acontecem em favor), que nos fazem xingar o juíz, mesmo quando ele apita de acordo com as regras, que nos fazem reclamar de um juíz, só ao ouvir o seu nome, enfim, que ajudam a enriquecer e a promover, apesar do aparente contra-censo, o futebol.

Se o futebol um dia se tornar um esporte cheio de gols e exato, aí sim, preferirei o volei.

Um comentário:

Rafael Vidal Eleutério disse...

tbm acho que esses erros de arbitragem adicionam uma emoção extra aos jogos e à paixão... dão até mesmo a chance do mais fraco vencer o mais forte, mesmo jogando pior, desde que o erro seja somente um erro.